ANO III




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Quarta-feira, 24 de Setembro de 2008
VERSÃO SOCIALISTA DA FÁBULA DA CIGARRA E DA FORMIGA

Todos os dias, bem cedinho, a Formiga produtiva e feliz chegava ao escritório.
Ali transcorriam os seus dias, trabalhando e cantarolando uma velha canção de amor.

 Era produtiva e feliz, mas não era supervisionada.

 O Marimbondo, gerente geral, considerou o fato impossível e criou um cargo de supervisor, no qual colocaram uma Barata com muita experiência.

 A primeira preocupação da Barata foi a de padronizar o horário de entrada e saída, além de preparar belíssimos relatórios.


 Bem depressa se fez necessária uma secretária para ajudar a preparar
 os relatórios e, portanto, empregaram uma aranhazinha, que organizou os arquivos e se ocupou do telefone.


 Enquanto isso, a formiga produtiva e feliz trabalhava e trabalhava.


 O Marimbondo, gerente geral, estava encantado com os relatórios da
 Barata, e terminou por pedir também quadros comparativos e gráficos,
 indicadores de gestão e analise das tendências.


 Foi, então, necessário empregar uma Mosca ajudante do supervisor, e
 foi preciso um novo computador com impressora colorida.


 Logo a Formiga produtiva e feliz parou de cantarolar as suas melodias e começou a lamentar-se de toda aquela movimentação de papéis que
 tinha de ser feita.


 O Marimbondo, gerente geral, concluiu, portanto, que era o momento
 de adotar medidas: criaram a posição de gestor da área onde a Formiga produtiva e feliz trabalhava.


 O cargo foi dado a uma Cigarra, que mandou colocar carpete no seu escritório e comprar uma cadeira especial.


 A nova gestora de área - claro - precisou de um computador novo e
 quando se tem mais do que um computador, a Internet se faz necessária.


A nova gestora logo precisou de um assistente (sua assistente na
empresa anterior) para ajudá-la a preparar o plano estratégico e o
orçamento para a área onde trabalhava a Formiga produtiva e feliz.


 A Formiga já não cantarolava mais e cada dia se tornava mais irascível..
 “Precisaremos pagar para que seja feito um estudo sobre o ambiente
 de trabalho um dia desses”, disse a Cigarra.


 Mas um dia, o gerente geral - ao rever as cifras - se deu conta de
 que a unidade na qual a Formiga produtiva e feliz trabalhava não rendia muito mais.


E assim contratou a Coruja, consultora prestigiada, para que fizesse um diagnóstico da situação.


 A Coruja permaneceu três meses nos escritórios e emitiu um relatório
 brilhante com vários volumes e custo de “vários” milhões, que concluía:


 “Há muita gente nesta empresa”.


 E assim, o gerente geral seguiu o conselho da consultora e demitiu a
 Formiga, por que andava muito desmotivada e aborrecida…

Um comentário
  1. pensando melhor, na versão realmente socialista, a formiga foi fuzilada por sabotar o perfeito regime socialista…

    por Ingo Schmidt — 24/09/2008 às 10:18 pm

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