ANO III




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Domingo, 26 de Outubro de 2008
O NOSSO SISTEMA FINANCEIRO

                 EM TESOURARIA  
             
          
          
    
      
     O mercado financeiro, aqui no Brasil, está da seguinte forma: sobra muito
dinheiro nos bancos e falta crédito para os tomadores. A decisão do BC, de
diminuir o depósito compulsório (dinheiro dos depositantes), irrigou
enormemente o caixa dos bancos. Estes, por pura desconfiança, estão retendo o
recurso em tesouraria, não repassando a liquidez para novas operações de
crédito.

            

    
                 COMBINAÇÃO   
             
          
          
    
      
     Como não fica bem para um banco dizer que a sua carteira de financiamento está
fechada, o negócio é usar o velho, mas compreensível, expediente de quem não
quer financiar: uma combinação que propõe prazos mais curtos com elevação das
taxas de juros. Pronto. Isto basta para que ninguém consiga escore suficiente
para pegar qualquer empréstimo

             

    
                 MEDO DO CALOTE   
             
          
          
    
      
     Diante desta realidade pouco importa se o COPOM venha a aumentar a taxa Selic
na próxima reunião. A elevação das taxas de juros para inibir o consumo já
aconteceu. E é, proporcionalmente, maior do que qualquer possível aumento da
Selic. O problema agora não é a inflação de demanda, mas, simplesmente, o medo
do calote.

             

    
                 FLUXO DE CAIXA   
             
          
          
    
      
     Alguns produtos sempre conseguem ser consumidos sem crédito ou com crédito
restrito. Outros, no entanto, só podem ser comercializados desde que haja
financiamentos com prazos mais longos. É a única forma possível para que o
caixa do financiado suporte, mensalmente, o seu desejo de consumo.

            

    
                 A PERIGO   
             
          
          
    
      
     Como o emprego, em períodos de crise, sempre está a perigo, basta haver uma
razoável dispensa de mão de obra para que a inadimplência apareça
perigosamente. Este receio faz com que se entenda corretamente o comportamento
dos bancos. Com mais dinheiro em caixa (pela liberação do compulsório) o que
lhes resta é comprar títulos públicos.

             

    
                 ENCRENCA   
             
          
          
    
      
     Esta manobra de compra de ativos de menor risco, por sua vez, aumenta a dívida
pública, i. é, a dívida do governo. Se o compulsório não é remunerado, os
títulos públicos são. Encrenca à frente, gente.

             

    
                 ADMITINDO   
             
          
          
    
      
     Uma coisa já está se definindo: o governo já admite a possibilidade de queda
das atividades. Começou esbravejando dizendo que nada nos atingiria, mas aos
poucos vem se rendendo aos fatos inegáveis. Sendo assim, a figura do Papai
Noel, deverá receber novas formas. Será que vamos ver um velho maltrapilho e
com o saco vazio?

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