AVALIAÇÃO OTIMISTA DE UM SINCERO ADMIRADOR
Amigos, Conheci o Chico Buarque quando ele era um pirralho de sete ou oito anos de idade, no apartamento de meu professor de língua portuguesa no Colégio Pedro II do Rio de Janeiro, o saudoso Prof. Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, no Morro da Viúva, em Botafogo, para onde eu ia com mais alguns colegas, ajudá-lo no paciente e exaustivo trabalho de correção do seu “Pequeno Dicionário da Língua Portuguêsa”, o famoso dicionário que é hoje conhecido simplesmente como “aurélio”, que de pequeno não tem nada. Orgulho-me de ter pertencido a um grande grupo de colaboradores que trouxeram para o professor uma série de regionalismos utilizados nos mais diversos rincões da nação.
O professor era tio de Chico Buarque. Numa dessas tardes de trabalho, conheci também a irmã de Chico, Miucha, que éra um bebê de mais ou menos um ano de vida. Anos depois, não estranhei em nada quando ele surgiu no cenário artístico e intelectual brasileiro com o sucesso que todos conhecem. A cultura e a sensibilidade estavam no DNA daquela família. Também não me surpreendi quando em seguida soube que ele era um comunista, ideologia infecciosa que começava a grassar no seio da juventude brasileira em geral - e carioca em particular -, sempre inconformada dos anos 60, no Brasil, constituindo-se hoje na ‘infecção política’ que afeta e vitima o país, a que eu chamo de “esquerdopatia militante”.
Mas, o tempo passa inexoravelmente. As pessoas constroem suas vidas, seus patrimônios e a experiência leva-os a repensar suas posições e suas convicções. Alguns não admitem isso, talvez por mera vaidade ou simples vergonha do reconhecimento de ter vivido por tanto tempo no erro, como no caso do ilustre e famoso arquiteto Oscar Niemeyer, hoje um home provecto, mas riquíssimo, e que ainda insiste em exibir o seu marxismo anacrônico. Mas, as pessoas sensíveis e inteligentes parecem não ter problemas em assumir publicamente o seu erro de percepção, ou apenas a sua decepção com algo que outrora julgaram ser um avanço social. É o caso de Chico Buarque, expresso na imagem abaixo, que eu reputo como um verdadeiro pedido de desculpas pela falsa ideologia que durante tanto tempo ele praticou. Se ele admite que tem uma alma (ainda que perdida), afinal, não deve ser um ateu ou materialista estrito; portanto, deve ter revisto, para seu próprio alívio, o seu comunismo vazio.
Fiquem em paz, com Deus e consigo mesmos,
F.VIANNA

