EDUCAÇÃO NO TOPO DAS PRIORIDADES
O brasileiro inicia o ano calendário de 2010 com generalizado otimismo quanto ao crescimento da economia (5% do PIB). Ocorre um verdadeiro “tip point”. Esse alto astral até certo ponto é benéfico porque incentiva as iniciativas de ampliação de negócios. Chega-se a dizer que o Brasil está dando um banho nos países do primeiro mundo e que os mesmos deveriam copiar os nossos passos. Lembra-me a mesma euforia quando aqui se ampliava o uso da correção monetária, como uma ferramenta avançada e desprezada pelos mesmos países. Hoje volta-se a dar loas à política do crescimento acelerado do salário mínimo como um dos fundamentos do sucesso, chegando-se ainda a propor que percentagem do aumento do PIB – Produto Interno Bruto – seja agregado aos salários.
Pequena minoria sabe que tudo isso terá um alto preço a ser pago no futuro não muito longo.
O país continua a apresentar números medíocres na educação do seu povo, em comparação com os Estados Unidos e a União Européia. Vejam o quadro abaixo.
|
Níveis |
EEUU |
Europa |
Brasil |
Na avaliação feita pela PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos com 15 anos de idade em 57 países, os brasileiros ficaram em 52º lugar em Ciências, 53º lugar em matemática e 48º lugar em leitura.
Como se vê estamos longe, muito longe, da capacitação de nosso povo para sustentar o crescimento econômico e social para competir com as outras nações.
É verdade que existem várias iniciativas para melhorar o quadro. A média de anos do brasileiro na escola formal cresceu de 5,2% em 1992 para 7,4% em 2008. Longe dos 12 anos dos coreanos, por exemplo. Temos hoje 272 escolas técnicas, das quais 132 foram instaladas de 2003 até 2009. Estão previstas mais 82 escolas para 2010. É um avanço indiscutível. Eleva a oferta de 10% das vagas do ensino médio para cursos profissionalizantes. Na Correia do Sul e no Canadá tal oferta chega a 50%.
Como o ano de 2010 será palco de novas propostas para os novos governos, a educação deverá merecer preciosa atenção. Não sei se dará votos. Mas é necessário que os formadores de opinião entrem em cena para o bem do Brasil.
Hélio Mazzolli – economista – Email mazzolli@terra.com.br

