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Quinta-feira, 18 de Setembro de 2008
BOLÍVIA À BEIRA DA GUERRA CIVIL

Evo Morales conduz seu país em direção à desintegração ou à guerra civil.

 

            Ficou claro já há muito tempo que a tentativa do Presidente Evo Morales de importar o modelo de socialismo autoritário de Hugo Chávez para a Bolívia tinha polarizado o seu país no acirramento ideologicamente premeditado do enfrentamento étnico e dos problemas geopolíticos – pondo em risco a sua desintegração ou expondo o país a uma guerra civil.

Ao invés de assumir compromissos, Morales apenas intensificou seus esforços para aprovar uma nova Constituição, fajuta, que pudesse concentrar poderes autoritários em suas próprias mãos e privilegiando as comunidades indígenas dos altiplanos bolivianos a custa do resto do país e principalmente das províncias mais ricas e desenvolvidas do leste, da chamada “meia-lua” oriental do país. O resultado é que a Bolívia se encontra agora à beira de um conflito civil que poderá desestabilizar toda a região.

            Uma das cinco províncias (estados) que tem rejeitado as políticas comunistas do presidente se encontra agora ocupada pelo exército e sob lei marcial após a luta de rua que matou umas 30 pessoas nos últimos dias. Militantes de ambos os lados estão recorrendo à força. Na província de Santa Cruz, manifestantes contra o governo saquearam e ocuparam prédios e repartições públicas do governo central. As forças anti-Morales também interromperam o fornecimento de gás natural para o Brasil, o item de exportação mais valioso do país. Os governadores oposicionistas merecem censura por tolerar – pelo menos – a violência por parte de seus seguidores.

Já Morales permanece sendo o principal provocador da Bolívia. Jactante de sua vitória no referendo de agosto, ele tentou marcar outro referendo relativa à sua falsa-constituição (que foi ilegalmente aprovada numa assembléia montada irregularmente num quartel do exercito de Sucre, onde a oposição não pode sequer comparecer), a qual lhe daria todos os poderes de um ditador e lhe ensejaria instalar uma espécie de “estado de ‘direito’ comunista no país. Mas ele ignorou o fato de que os governadores de oposição também venceram no mesmo referendo a re-confirmação de seus postos por uma maioria esmagadora de votos – e que a sua versão fajuta de constituição em si tinha sido ilegalmente ‘ratificada’ por uma assembléia de araque, da qual a oposição tinha sido excluída.

Ao contrário, Morales lançou outra das suas campanhas de antiamericanismo. Ordenou que os representantes de auxílio dos EUA saíssem da província produtora de coca onde estavam se dedicando a programas de desenvolvimento, expulsou a seguir o embaixador dos EUA, um respeitável profissional, sob a espúria acusação de “fomentar a rebelião e a deposição do presidente”.

Uma reunião de cúpula dos chefes de estado latino-americanos no Chile, ontem, estava tentando preparar o caminho para uma resolução negociada. Para que isso possa acontecer, Morales terá que aceitar que ele não pode impor sua agenda na região da meia-lua oriental da Bolívia, mas que tem que trabalhar no sentido de estabelecer um compromisso constitucional que ele previamente rejeitou.

Hugo Chávez, o tiranete da Venezuela – que tem uma visível ascendência política e ideológica sobre Morales – está fazendo o possível para manter a escalada da crise, tendo até ameaçado intervir militarmente na Bolívia caso Morales seja deposto ou assassinado. Mas os Estados Unidos têm tentado neutralizar isso, da mesma forma. A Bolívia recebe mais de 100 milhões de dólares anualmente em ajuda americana, e cerca de 30.000 empregos na nação mais pobre da América do Sul para a renovação de preferências de comércio, cujo prazo expira em dezembro próximo. A administração e o Congresso dos EUA deverão condicionar as concessões de comércio a um eventual acordo entre Morales e a oposição para por fim ao uso da força de ambos os lados e para preservar uma democracia liberal.

Francisco Vianna

francisco.vianna@terra.com.br

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