ANO III




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Quinta-feira, 25 de Setembro de 2008
Efeito dominó

                                    “Efeito dominó” é uma expressão criada durante a Guerra Fria, muito utilizada em política internacional. O conceito é simples: Se uma tendência atinge determinado país, é muito provável que esse viés político ou econômico atingirá também seus vizinhos. Exatamente como as peças de um jogo de dominó enfileiradas: Cai uma, caem todas.
                            Pois é. O efeito dominó foi mais uma caçapa cantada. Em verso e prosa, versão remix, em todas as modalidades de canto: Agora foi a vez do Equador nos passar a perna. Nossa desastrosa política externa está fazendo do Brasil a vítima preferida dos nossos vizinhos. Somos os otários que eles pediram a Deus.
                            No início foi Hugo Chávez; depois seu discípulo Evo Morales, seguido de perto pelo paraguaio Fernando Lugo. Esse inovou: Começou a cantar de galo (no caso Itaipu e na expulsão dos brasiguaios) antes mesmo de ser eleito presidente. Agora é Rafael Correa, o mais novo discípulo de Fidel Castro a entronar uma república(?) sul-americana. Que coisa; o mundo crescendo num ritmo alucinante, e nós chafurdando nessa mediocridade ideológica dos anos 30.
                            Temos vizinhos birutas, arrogantes, transformando-se de países pobres em semi-ditaduras miseráveis, e gostamos disso. Eles vão ao fundo do poço e pretendem arrastar seu vizinho grandão, num abraço de afogado nunca antes visto na História deste País, como gosta de repetir o apedeuta residente no Alvorada.
                            Correa já deixou bem claro que é doido de amarrar. Adora discutir sexo de anjo e redondez de laranja com Chávez e Morales. Deu no que deu, terça-feira: Brasileiros refugiados na embaixada em Quito, outros em fuga, e a brasileira Odebrecht, uma das maiores construtoras do mundo, refém desse maluco equatoriano. Seus canteiros de obras naquele país foram invadidos pelo exército. O que nosso governo fez? O mesmo de sempre: Nada. Pior: as obras da Odebrecht foram financiadas pelos brasileiros, via BNDES, e Correa avisou que não pretende pagar o empréstimo! Somos os otários do século. Virou moda espoliar o Brasil.
                            Somos fregueses de carteirinha. Nossos ativos no exterior não têm dono, são de quem chegar primeiro. Empresas brasileiras que geram fortunas em impostos, realizam investimentos gigantescos criando um número fabuloso de empregos, são roubadas, tratadas como lixo. Com o consentimento do Itamaraty, aparelhado com o que há de mais atrasado dentre os admiradores de uma ideologia morta, de gente que finge ignorar a queda do muro de Berlim.
                            Lullla nunca aborda assuntos espinhosos. Muito menos esses, que envolvem invasões de empresas brasileiras no exterior. Enquanto isso, Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores, diz que a invasão da Odebrecht por militares equatorianos é só uma “medida preventiva”, normal, e que tudo se resolverá em alguns dias. Valei-me, Santo Onofre. É o caso de se perguntar em qual posição estamos nessas relações exteriores.
                                                        *****
                            Enquanto isso, os mesmos espertalhões vendem a idéia de que o verdadeiro perigo é a reativação da IV frota naval pelos americanos. Muito, muito engraçado. Chávez está pondo fogo no continente, iniciou a corrida armamentista, avisou que pensa em invadir a Bolívia, marcou manobras militares com a Rússia no nosso quintal, e Lullla ainda diz que “estranha” a reativação da IV frota! Considerando como as coisas andam na América Latina, bem como a situação deplorável de nossa sucateada Marinha, em pouco tempo vamos ter de pedir ajuda à IV frota dos EUA!
                            Um lembrete para esses paspalhos: A IV frota foi a mesma que ajudou a patrulhar nosso litoral de 1943 a 1945, salvando centenas de vidas brasileiras. Antes disso, a kriegsmarine nazista assassinou mais de 1.200 pessoas, entre civis e marinheiros. Engraçado: Lullla diz que devemos temer quem nos ajudou no passado e sermos amigos de quem nos rouba descaradamente. Muy amigos.

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