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Terça-feira, 12 de Agosto de 2008
GUERRA NO CÁUCASO : “O DESPERTAR DO URSO”

Figura símbolo da Rússia, desde os tempos dos Czares, de “Pedro: O Grande”, quem rompeu as fronteiras originais da Rússia, estendendo o seu domínio das geladas estepes da Sibéria até as marolas do Mar Cáspio, chegando a alcançar o Mediterrâneo, o Urso é o animal escolhido como síntese da Rússia, talvez por sua forma robusta e elevada compleição física, bem próximos do País que representa, mesmo depois da queda da URSS – União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, ainda hoje o maior  Pais do Mundo em áreas continuas.

                      Animal indócil, porem de hábitos simples e saudáveis, o Urso tem por estratégia instintiva hibernar, ou seja, recolher-se ao abrigo em tempos de inverno rigoroso, quando o gelo toma conta dos Montes Urais, até a Sibéria, época em que o animal se entoca, a fim de poupar as energias acumuladas em tempos de, outrora, fartura.

                      Contudo, não é essa a Rússia que estávamos acostumados a ver nos últimos tempos, pelo menos, não em tempos híbridos da CEI - Comunidade dos Estados Independentes, no perfil que assumiu a URSS, e seus paises satélites, cujo maior membro é própria Rússia, numa espécie sádica de URSS Democrática, voltada para a Modernidade e para o Ocidente, em que a Rússia, Pais de várias etnias e regiões demográficas, com perfis que variam do biótipo físico do Extremo Oriente, até tipos bem afinados, com a sua porção, imersa na Europa Ocidental, de quem é uma espécie de “Primo Ilegítimo”, mal aceito e mal compreendido, mesmo após a derrocada do Comunismo, de Stálin, que manteve unida, à mão de ferro e sob forja do Comunismo, toda a Rússia, de 1917 até 1989, com a queda do Muro de Berlim, e, logo após, do próprio Comunismo, na Europa.

                  Assim, vendo-se desfalcada, de um a um, dos seus territórios de influência, desde os Estados da Europa Oriental, tomados do Nazismo na Segunda Guerra, como Polônia, Tchecoslováquia e Alemanha Oriental, até as suas próprias colônias, representadas pelas repúblicas menores que assimilou ao longo da sua História, a exemplo da Lituânia, Estônia e Geórgia, a Rússia, de Potência Vermelha, foi ao mais completo ostracismo, deixando, até, o Mundo um pouco mais Monótono, ao passo que o Jogo Geopolítico Universal perdeu um dos seus mais influentes jogadores, a URSS, interessada em expandir o Comunismo por todo o Planeta, transformando cada Ex-colônia Recém Libertada na Ásia ou na África, em um potencial campo de batalha da Guerra Fria, enquanto vê os EUA, e o seu braço militar na Europa, a OTAN - Organização do Tratado Atlântico, expandir até os limiares dos Montes Urais, ameaçando militarmente a própria Rússia.

                      Assim, despertada do seu paquidérmico adormecimento vermelho, em que o Estado Russo se tornou burocrático e pouco eficiente, não mais capaz de fazer frente ao seu Ônus de Potência, a Rússia, com a queda do Comunismo, parece haver optado por recuar, para, ora, restabelecida em seu aparente Estado de Hibernação, avançar novamente.

                          Pelo menos é essa a sensação que nos passa as recentes manobras do Ex-exército Vermelho, ao cruzar as fronteiras da Geórgia, no Cáucaso, e avançar rumo às águas do Mar Cáspio, novamente, como quem recupera o terreno, antes perdido para o Inimigo.

                           Se assim o for, parece-me que o Grande Urso Interior, que se encontrava adormecido na mais completa letargia, resolveu rugir, novamente.

                            ”Tremei Mundo:Ele voltou !

 

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