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Domingo, 24 de Janeiro de 2010
POPULISMO SOCIALISTA NA CASA BRANCA???!!!


Por FRANCISCO VIANNA - Sábado, 23 de janeiro de 2010

Barak Obama, o queniano que ocupa a presidência dos EUA, após ver a sua reforma da assistência médico-hospitalar pública ir praticamente para o ralo, encetou sua mais nova
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ofensiva pela reforma do sistema financeiro norte-americano. Para tal, seu projeto estabelece mais regulações governamentais sobre a maneira de operar dos bancos, do que os americanos estão preparados psicologicamente para aceitar. Mas, mesmo assim ele foi fundo em mais essa iniciativa de controle estatal do cerne do capitalismo privado norte-americano. Os questionamentos se avolumam ao ponto de ocorrer algo impensado: a acusação de que Obama ‘é um populista na Casa Branca’.

O populismo que os democratas ora vêm como uma solução útil e correta, na verdade, surge em decorrência da crescente desconexão entre o presidente e sua equipe e seu eleitorado em quase todo o país.  Apesar do consenso que parece se formar na opinião pública estadunidense – de que o capitalismo especulativo deva ser realmente mais regulamentado pela sociedade e, portanto, pelo governo democrático que a representa – esse mesmo eleitorado agora ameaça dar-lhe as costas, mesmo que, há apenas um ano, o tenha elevado aos céus como o ícone da ‘mudança e da esperança’.

De certa forma, os apertos financeiros produzidos pela absoluta falta de regulamentação do capitalismo especulativo – aquele que gera dinheiro pelo dinheiro e não pela produção – surge como uma infecção colateral, como sempre oportunista, no organismo debilitado da economia americana, da mesma forma que incide virulentamente nos países em desenvolvimento, principalmente na América latina. Essa ‘infecção socialista’, como sempre, tende não a normatizar o capitalismo privado especulativo (como muitos acham já que deve ocorrer), mas sim substituí-lo pelo pior de todos os capitalismos: o capitalismo estatal.

A tese política democrática, atualmente defendida pelos seus próceres, consiste em fazer parecer que “um pouco de populismo parece soar, pelo menos por enquanto e independente do seu conteúdo ideológico, como a fórmula mágica para a tão ambicionada re-conexão com os chamados “interesses das pessoas”. E, para isso, uma investida contra os bancos surge, para eles como uma iniciativa perfeita, pois ela esconde em suas sombrias entranhas as ambições inconfessáveis de tornar o estado americano o agente capitalista mais forte do país. Só que se esqueceu de combinar tudo isso como essas mesmas pessoas, que, numa maioria esmagadora, têm ojeriza ao socialismo.  

Até os jornais americanos tidos como de ‘esquerda’ e mais afinados com essas medidas socialistóides de Obama - como o The New York Times e o The Washington Post – têm mencionado em seus editoriais e reportagens esse “populismo” nem tanto oculto nessas medidas de Obama no sentido de estatizar a assistência médica e hospitalar e de impor controle estatal sobre o sistema bancário e financeiro dos EUA. O Secretário do Tesouro (o FED – Federal Reserve), Timothy Geithner, disse que “só porque algo pareça ser populismo não significa que não seja a coisa certa a fazer”, numa tácita aprovação que interessa mais a ele, é claro – que passaria a ter um poder incalculável dentro de um possível (?) futuro politburo americano – do que propriamente à economia do país que se restabelece de modo acelerado. Neste momento, ele e outros membros da administração fazem questão de manter uma distância segura de Wall Street, como se o americano comum achasse isso correto ou benigno. É evidente, para todos, menos para muitos democratas, que não é essa a opinião americana.

A verdade é que existem “batalhas pelo poder dentro do poder”, tanto políticas como econômicas. Politicamente, como não poderia deixar de ser, o governo Obama quer aprovar medidas mais autoritárias, não importa que suprimam direitos ou limitem liberdades individuais. Economicamente, tenta levar adiante um aumento em volume e intensidade do capitalismo estatal. Não são poucos os que, dentro do partido governante, acusam Geithner de ter sido “benevolente” com bancos e financeiras, a mesma benevolência que perdoou os altíssimos salários e prêmios salariais (bônus) financiados, na realidade, pagos pelo dinheiro dos contribuintes.

Obama e os socialistas infiltrados no atual Partido Democrata sabem que o governo é a única “empresa” que não quebra. Tem o poder de enfiar a mão no bolso do cidadão quantas vezes ele julgar necessário e é isso, exatamente, – associado ao autoritarismo que sempre vem embutido para tal – que o povo americano, ultra-politizado, mais abomina.

Ontem, Geithner se afastava ainda mais do atual sistema financeiro privado quando, junto ao presidente, viu crescer a influência do ex-presidente do FED, Paul Volcker, que muitos consideram como o verdadeiro cérebro e autor intelectual da investida contra o sistema bancário. Enquanto Geithner se distancia cada vez mais do capitalismo privado, mais o atribulado Secretário do Tesouro se converte num “populista de primeira linha”, com suas insólitas declarações.

Fora isso, resta saber se o anunciado ‘pacote de reformas’ (o PAC deles lá) – do qual ainda não se conhece quase nada – servirá para evitar novas situações que levem a economia do país à beira do precipício, como ocorreu recentemente com o ‘estouro da bolha do ‘subprime’. E com os EUA o resto do mundo.

Ninguém parece ter ainda respostas convincentes sobre o que está para acontecer no médio e no longo prazo. Muitos, tanto em Wall Street como no seio da comunidade americana em geral, não acreditam nesse ‘pacote’ estatizante de Obama e ‘democratas’.

A história americana mostra, contudo, que, por muito menos, eles acharam um jeito de despachar aventureiros socialistóides como JFK, ou pilantras contumazes como Richard Nixon, para fora da Casa Branca, seja caminhando ou inertes num caixão.

Francisco Vianna

francisco.vianna@terra.com.br

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