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Quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009
Cúpula do clima: CO2 não determina aquecimento e muito discurso em Copenhague é demagogia, diz Prof. Molion

O professor Luiz Carlos Molion, representa a América Latina na Organização Meteorológica Mundial, é pós-doutor em meteorologia, membro do Instituto de Estudos Avançados de Berlim, e leciona na Universidade Federal de Alagoas.

 

Ele declarou em entrevista para Terra Magazine que as reduções de emissões de carbono propostas pela 15ª Conferência das Partes sobre o Clima (COP-15), não influenciarão efeito no clima mundial, “o gás carbônico não controla o clima global”, garante.

 

Molion estuda o clima desde 1970. Para mostrar a fragilidade do que se apressa em chamar “consenso científico” ele menciona que quando tirou o doutorado há 35 anos, nos EUA o “consenso” era em torno da idéia que o mundo estava numa Era Glacial.

 

Eis alguns excertos da entrevista:

Qual a opinião do senhor sobre as movimentações em torno da Conferência do Clima?

Essas reduções de emissões de carbono não vão produzir efeito nenhum no clima. O gás carbônico não controla o clima global. Isto já foi demonstrado com pesquisas feitas no que nós chamamos de paleoclimatologia, em que se tenta reconstruir o clima passado, com base nos cilindros de gelo da estação de Vostok, na Antártica.

Ocorreu forte aquecimento entre 1925 e 1946, e nessa época, o homem lançava na atmosfera menos de 10% do carbono do que lança hoje. Então, aquele aquecimento, que é ainda maior do que esse atual, na realidade foi explicado por fenômenos naturais.

Todos os recordes de temperatura nos Estados Unidos, que têm uma série de dados bastante longa, ainda são daquela década de 1930.


Como seria mais seguro medir as temperaturas mundiais?

Tem um sistema a bordo de satélites que leva a sigla MSU, um sensor de microondas que existe desde 1968. Ele indica que, nesses 30 anos passados, não há um aumento significativo de temperatura. Houve um aquecimento entre 77 e 99, que coincide com o aquecimento do Oceano Pacífico Tropical. Os oceanos são grandes controladores do clima, em particular o Pacífico, porque ele sozinho ocupa 35% da superfície terrestre. Então, quando ele se aquece, o clima também fica mais quente: A atmosfera, o ar, é aquecido por baixo, as temperaturas mais elevadas estão próximas da superfície.

Desde 1999, o Oceano Pacífico esfria. Hoje, não só monitoramos os oceanos, mas existem mais de 3.200 boias à deriva e mergulhadoras. Elas mergulham até 2.000 metros de profundidade, se deslocam com a corrente marinha e nove dias depois elas sobem, e passam os dados para o satélite.

Esse sistema mostra que os oceanos, de maneira geral, estão esfriando nos últimos seis, sete anos. E, nos últimos 10 anos, a concentração de CO2 continua subindo.

Mas há uma sensação de que existem muitas mudanças climáticas ocorrendo no mundo…

Não. O que acontece é que hoje, a população está mais vulnerável aos fenômenos meteorológicos. Na realidade, os fenômenos intensos sempre ocorreram no passado. Por exemplo, a maior seca do nordeste foi em 1877 até 1879. O furacão americano mais mortífero foi no Texas em 1900.

Aliás, a quantidade de carbono lançada pelo homem é ínfima, é irrisória, se comparada com os fluxos naturais dos oceanos, solo e vegetação. Para atmosfera, saem 200 bilhões de toneladas de carbono por ano. O homem só lança seis.

Qual a incerteza que nós temos nesses ciclos naturais? É de 40 bilhões de toneladas para cima e para baixo. Ou seja, existe uma incerteza de 80 bilhões que é oito vezes maior que o que o homem lança na atmosfera. Não tem como se controlar o carbono. E se controlar, se reduzir as emissões, não haverá impacto nenhum no clima.

O clima hoje deixou de ser um problema científico, ele é um problema político-econômico.

Mas a China não seria a única a reduzir, os EUA também reduziriam…

Para os países subdesenvolvidos e emergentes, excetuando-se o Brasil, reduzir significa gerar menos energia elétrica. Em muitos países só tem carvão mineral e petróleo para gerar energia. Eu não quero dizer com isso, que nós devemos sair por aí depredando o meio ambiente, tem que haver mudanças de hábito de consumos, mas as emissões de carbono não são o caminho correto.

Quem fabricou esse consenso?

Não existem consensos na ciência, ciência não é política, é experimentação.

A ciência progride pelos contras que vão surgindo. Se você tem uma teoria e mostra que ela vale, e se surge um único experimento que diz o contrário, então você tem que repensar toda a teoria.

Consensos são políticos, cientificamente eles não existem, cientificamente existem experimentações.

Então porque a impressão do consenso?

Existe uma trama por detrás disso tudo. Países como os do G7. Eles já não dispõem de recursos naturais, recursos energéticos. Por outro lado, eles não querem perder a hegemonia.

Os pesquisadores que vão de encontro a esse “consenso” sofrem algum tipo de represália?

Sim, mas isso é normal. A gente é perseguido, taxado como um indivíduo desatualizado e tem mais dificuldade de conseguir verba para pesquisa. Mas, de todas as pessoas que estão aqui no Brasil, talvez eu seja o climatologista mais sênior. Estudo clima há setenta anos e conclui meu doutorado há 35 anos, nos Estados Unidos.

No período que eu fazia meu doutorado, o clima estava tão frio que o “consenso” da época era que nós estávamos entrando numa Era Glacial. O clima é muito complexo e jamais poderia ser dominado pelo CO2. Ao contrário, o CO2 é resultante do aumento da temperatura, quando a temperatura aumenta os oceanos liberam mais CO2.

É, mas não da maneira correta. Quando você olha para os livros didáticos das crianças, diz lá que o homem está destruindo a camada de ozônio, que a Terra está se aquecendo, que o nível do mar vai subir… Isso está errado!

O que nós estamos fazendo? Educação ou lavagem cerebral? Na minha opinião, olhando todos os indicadores climáticos, nós vamos ter um resfriamento climático nos próximos vinte anos. O que vai acontecer com essa criançada quando eles perceberem que, ao invés de aquecer, está esfriando, e que esse esfriamento é muito pior para a humanidade?

Neve e gelo no porto de Marselha, 2009

Os países parecem dispostos a fazer acordos de redução em Copenhague…

É um discurso que não vai adiante. À medida em que a população aumenta, há a necessidade de mais energia elétrica, se a gente quiser incluir esse pessoal em uma sociedade que viva adequadamente.


Como incluir essas pessoas sem aumentar o consumo? Não existe como. Somos ainda muito dependentes dos combustíveis fósseis. Acho que vai ter muito discurso em Copenhague, vão fazer muitas promessas, mas são só demagógicas.

Não tem como cumprir essas metas. Se você olhar o Protocolo de Kyoto, a Europa não reduziu absolutamente nada, ao contrário. Conversa é conversa, na prática, não há como fazer isso.

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Climagate: líder do “aquecimento global antropogénico” prefere que cúpula do clima fracasse

Posted: 08 Dec 2009 04:05 AM PST

James Hansen, um dos pioneiros da hoje tempestuosa teoria do “aquecimento global antropogénico” e diretor do prestigiosíssimo Instituto Goddard da NASA, para Estudos do Espaço, como sede em Nova York, declarou ao jornal “The Guardian”  ser preferível que a Conferência de Copenhague dê num fracasso. A declaração repercutiu logo na Espanha.

Para Hansen, qualquer acordo que possa surgir na capital dinamarquesa seria tão carente que no futuro ter-se-ia que recomeçar tudo de zero.

A lógica do raciocínio de Hansen tem algo de fanático insatisfeito. Se o “aquecimento global antropogénico” por ele pregado é tão grave, é claro que qualquer avanço imediato seria positivo. Porém, ele raciocina “tudo o nada” acometido de uma pressa inexplicável.

Hansen comparou, a modo de justificativa, a luta contra a mudança climática com a luta contra a escravidão nos tempos de Abraham Lincoln ou contra o nazismo tocada por Winston Churchill. As duas comparações referem-se a guerras extremamente sanguinárias e longas. A Guerra Civil americana, e depois a II Guerra Mundial.

Alternativas extremadas e catastróficas como essas pecam por falta de ponderação. No Brasil, a escravidão foi abolida pacificamente. Por que não se inspirar na política jeitosa da princesa Isabel e de Dom Pedro II?

A comparação com o nazismo também revela uma visão pouco equilibrada da realidade. O nazismo tornou-se um perigo universal após tomar as rédeas do poder na Alemanha e em países aliados. Mas, no momento atual, quem tem as rédeas do poder na mão são os partidários do “aquecimento global antropogénico”. E isto no nível de instituições cientificas e no nível de governos, como comprova o farto noticiário sobre a reunião de Copenhague.

O chefe do reputado Instituto Goddard ainda tentou uma analogia com o caso das indulgências no tempo da revolta protestante, que comparou com a proposta de criar créditos de carbono.

Hansen glosou a versão denegridora da Igreja Católica (“bispos coletavam montanhas de dinheiro e os pecadores compravam a redenção”) para tentar alicerçar sua atitude intransigente contra qualquer acordo. Para ele, obviamente, o “aquecimento global antropogénico” tem a importância de um caso religioso transcendental.

O uso do cachimbo deixa a boca torta. Acostumado ao exagero, o cientista parece ter perdido os pontos de referência certos.

Hansen está gravemente envolto no “Climategate”. Suas palavras sugerem urgência de “queimar arquivos”, pondo em surdina a polêmica sobre esse escândalo e as importantes problemáticas relacionadas.

Hansen manifestou-se também muito desgostoso com os políticos que embora aderindo rumorosamente ao mito do “aquecimento global” não se mostraram radicais e precipitados como ele quereria.

“Nestas matérias não pode haver compromisso”, exigiu.

Por quê não?

Que estranha pressa!

Por certo, se houverem delongas, haverá mais debate. Nesse caso, os dados e os argumentos serão mais bem conhecidos pela opinião pública. A pressa e intransigência do cientista faz pensar numa necessidade impingir de cambulhada um projeto envenenado que se fosse discutido na calma e na reflexão não teria condições de passar.

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