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Sábado, 12 de Dezembro de 2009
Cúpula do clima: pecuária “grande vilã” do ‘aquecimento global’, embora não haja provas

A 15ª Conferência sobre Mudanças Climáticas (COP-15) está se mostrando cada vez mais vazia de realidade e cada vez mais cheia de golpes de propaganda, ideologia e ‘religião’.

Corre largamente que a Conferência pode não chegar a nenhum resultado prático e dar num fracasso. Nesse caso os participantes emitiriam uma declaração de princípios para paliar a falta de compromissos juridicamente vinculantes.

Ao mesmo tempo, remitiriam para uma próxima reunião, tal vez em 2010, a tentativa de impor uma canga às nações.

Porém, não é de se excluir um “salto no vazio” com propostas utópicas, mais ou menos irrealizáveis que semeiem o caos nas relações entre os países.

Neste caso seria o triunfo de uma ‘religião’ cega aos dados da natureza, mas cheia de ojerizas contra a civilização ocidental.

A pecuária brasileira é uma “vítima” apontada antes mesmo de se definir o “crime”.

“A pecuária começa a se tornar uma grande vilã” da emissão de CO2 e do aquecimento global, afirmara Marcelo Galdos, do Cena (Centro de Energia Nuclear na Agricultura), instituição ligada à USP .

Os promotores da campanha contra a pecuária lidavam até pouco com os dados oficiais que não falam nesse sentido. Mas, isso já estava mudando antes da Cúpula do clima de Copenhague.

O petismo interessa-se por essa cimeira pois percebe o potencial anti-propriedade privada contido no cientificamente desclassificados “aquecimento global” e “catástrofe climática”.

Até não muito, o vilão nº1 nacional era o desmatamento. O ecologismo ideologizado não cessa de atacá-lo, mas agora o inclui no cômputo dos efeitos “aquecedores” da pecuária.

As críticas à indústria, que foi a que mais cresceu em termos de produção de gases-estufa (73,6% entre 1994 e 2005, cifra irrelevante a nível planetário, ou mesmo nacional) estão sendo poupadas. “Cuidado com os números”, desculpou Galdos, “mesmo com o crescimento, em termos absolutos, o peso industrial ainda é baixo.” O ataque concentra-se contra o agronegócio.

O Ministério do Meio Ambiente ignora o peso real da agropecuária nas emissões brasileiras. Numa apresentação feita ao presidente Lula, para tentar alinhavar uma proposta para a reunião do clima em Copenhague (Dinamarca), a importância das emissões de CO2 da agropecuária foi considerada estável no período que vai de 1994 a 2020.

Ficou assim impossível propor uma meta em contato com a realidade para diminuir as emissões da pecuária e da agricultura apresentável na Cúpula do clima. Porém, política é outra coisa.

Primeiro, em Londres, o presidente Lula anunciou que o País não apresentaria metas quantificáveis. Porém, após EUA confirmar que tampouco apresentaria números, uma decisão política levou o presidente a propor cortes de 36,1% e 38,9% das emissões brasileiras mas em relação a projeção feita para 2020. Com isso tentou se posicionar como líder salvador do planeta e apontar com o dedo as grandes potências.

A hesitação de Obama fez pensar que a posição americana mudaria, e a posição do presidente brasileiro pareceu se encolher. Encontrou-se com a chanceler alemã e os dois concordaram que não sairia tratado vinculante, e desde então ficou em silêncio. Por agora…

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