BALÃO DE ENSAIO
Aproximam - se as eleições municipais.
Embalados nos recursos do PAC, distribuídos parcimoniosamente pelas
administrações estaduais e municipais aderentes ao desgoverno, a esquerda se
regozija ao antever estrondoso sucesso na sua caminhada para o domínio total do
poder. É o “gramcismo” em marcha (batida).
A esperta “metamorfose”, após negacear um possível apoio explícito aos
companheiros candidatos, subordinando sua presença em palanques aos acertos
entre o seu partido e os partidos aliados, resolveu apoiar, ostensivamente, os
candidatos e simpatizantes do PT.
É preciso que se analisem o fato e a decisão presidencial.
Cremos que estamos diante de um balão de ensaio para a viabilização do terceiro
mandato.
Podemos negar ao nosso ladino “turista acidental” uma enorme falta de
qualidades, contudo, é inegável, o oportunismo e a desfaçatez fazem parte do
seu caráter. Ao julgar como vantajoso sujeitar - se às agruras de participar da
campanha política para seus “cupinchas” e correligionários, o espertalhão pensa
mais em si do que nos outros.
Sabemos que não interessa ao PT a perda do poder, mesmo que momentaneamente, o
que deverá ocorrer quando terminar o atual mandato. Ainda que, o futuro eleito
possa ser o apoiado pela metamorfose ambulante, um títere oriundo de uma
coligação partidária, o PT, não terá a desenvoltura e a capacidade, que possui
atualmente.
Embora a esquerda prefira um aliado ou subordinado direto do lula, como a
Dilma, sua preferência, alguns indícios mostram que a intrépida guerrilheira,
não teria a projeção necessária para atingir a presidência.
Quanto ao molusco, sua percepção é de que o seu afastamento será temporário, e
que ele voltará imbatível e consagrado numa futura eleição. Contudo, um cenário
extremamente otimista poderá fazê - lo antecipar seus anseios, embriagando – se
na possibilidade de prolongar seu atual êxtase governamental.
A hipótese do 3º mandato poderá tornar - se um fato consumado, caso a presença
do molusco nos diversos palanques, venha a ser o fiel da balança em prol de
seus apoiados. Na possibilidade de êxito, as pressões do partido e a vaidade
presidencial podem ser decisivas para o acionamento de um amplo movimento da
esquerda, contando com o maciço apoio de suas bases de pressão (MST, Movimentos
Estudantis e Sindicatos, e, agora, Movimentos Indigenistas), que conduza para
aquele desfecho.
Por isso, é preciso ficar de olho nas próximas eleições, que poderão
proporcionar ao desgoverno as condições para propor medidas, através do
Congresso, que viabilizem o 3º mandato; da mesma forma como,
“democraticamente”, foram eleitos e reeleitos Fidel Castro e Chávez, e como
procuram perpetuar - se no poder os Presidentes do Equador e da Bolívia.
Na prática, os indícios conduzem para o pior dos pesadelos.
Desgraçadamente, somos representados por políticos abjetos, que se amoldam às
normas e distorções de um Legislativo deplorável, arremedo do que deveria ser
um dos poderes soberanos do Estado.
Estamos à mercê de crápulas, de fracos e negociáveis indivíduos que não têm o
menor prurido em vender sua independência moral. Pela sua leniência e falta de
patriotismo, ausência de respeito para consigo e para com os demais cidadãos,
cedendo ou curvando - se aos pés do Executivo, é lícito esperar - se uma
subserviência total do Congresso aos desígnios do governo.
A postura subordinada do Judiciário nada fica a dever à do Legislativo.
Somente, quem não acompanha o descalabro das decisões oriundas da justiça
nativa pode, minimamente, esperar uma decisão que contrarie ao executivo. A
questão da Reserva Raposa Serra do Sol será a prova incontestável da
pusilanimidade daquele poder.
Somos uma nação de pífias instituições. Entidades sem bases, sem identidade,
sem um destino altaneiro a servir - lhes de farol. Assim, ladeira abaixo, segue
vendada uma Nação.
As Forças Armadas, durante longos anos, postaram - se como as instituições
capazes de balizar o que restava de orgulho e grandiosidade nacionais. Porém,
submetidas nas últimas décadas ao escárnio e ao revanchismo quedaram - se
amorfas.
Hoje, as Forças Armadas perderam o seu orgulho. Cabisbaixas, envergonham - se.
Amesquinharam - se, diante de tanta injustiça.
Brasília, DF, 28 de agosto de 2008.
Gen. Bda RI Valmir Fonseca Azevedo Pereira
generalazevedo@uol.com.br

