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Domingo, 7 de Fevereiro de 2010
PESQUISAS: É BOM TER CAUTELA


Qualquer pessoa interessada em pesquisas, sejam elas eleitorais, de audiência nos meios eletrônicos ou de lançamento de produtos, sabe que é preciso ter muito cuidado na análise dos números apresentados. Geralmente, as pesquisas servem para todos os envolvidos nelas, desde que a interpretação tenha um objetivo definido.

 

A mais recente pesquisa da CNT/Sensus traz um dado inquestionável: o crescimento da candidatura da ministra Dilma Rousseff diante de José Serra. Mas até para essa informação, a cautela não se torna dispensável quando algum petista tem na garganta o grito de “já ganhou”.

 

A pesquisa CNT/Sensus ouviu 2 mil eleitores entre os dias 25 e 29 de janeiro, em 136 municípios de 24 estados. E é aí que mora o perigo e que pode levar os analistas e os interessados na sondagem a uma avaliação equivocada.

 

Há uma desproporção abissal na metodologia usada. As duas mil entrevistas foram mal distribuídas já que Porto Alegre com 1.043.389 eleitores contribuiu com 15 entrevistados, o mesmo número de Saubara, na Bahia, que tem apenas 8.776 eleitores. Em Florianópolis, deu-se o mesmo. A capital de SC conta com 306.040 eleitores e lá foram ouvidos 4 eleitores. Já em Afogados da Ingazeira (PE), com 26.195 eleitores, 16 deles participaram da pesquisa. 

 

Sem entrar num detalhamento técnico, Dilma vence no Nordeste e perde no Sul/Sudeste, coincidentemente onde pequenos municípios contribuíram com um maior número de pesquisados, suplantando colégios eleitorais como Porto Alegre e Florianópolis.

 

DESARMAMENTO (1)

 

Todos nós lembramos da consulta nacional sobre o desarmamento. Não havia pesquisa que não apresentasse números demolidores a favor da entrega das armas às autoridades. A campanha pelo desarmamento trazia as maiores “celebridades” da televisão e ONGs ligadas ao tema pregando a paz e pedindo o fim da cidadania armada.

 

DESARMAMENTO (2)

 

Os eleitores que eram a favor de o cidadão ter uma arma legalizada em casa, não se conformavam com os números das pesquisas, já que estas apresentavam uma posição contrária acima de 80 por cento do universo pesquisado.

 

DESARMAMENTO (3)

 

Terminada a campanha pelo rádio e pela televisão, já no dia da votação, a pesquisa de boca de urna mostrava um resultado que contrariava todas as pesquisas. Bem, o resto nós sabemos: venceu que votou contra o desarmamento, com um índice que chegou perto dos 80%. Exatamente o contrário do que diziam as pesquisas. Todas elas.

 

NOS EUA (1)

 

Richard Nixon, candidato republicano á presidência dos EUA era franco favorito nas pesquisas eleitorais, em 1960. Mas quem venceu foi o jovem John Kennedy.

 

NOS EUA (2)

 

Em 1948, Harry Truman concorria à reeleição presidencial, depois de ter substituído Franklin Roosevelt que morreu no cargo, durante a 2ª Guerra Mundial. Seu opositor era Thomas Dewey, favorito nas pesquisas.

 

NOS EUA (3)

 

Durante a apuração (mais demorada por motivos óbvios), Dewey aparecia na frente de Truman, confirmando as pesquisas. Foi aí que o jornal Chicago Daily Tribune apostou nos números e deu como manchete: “Dewey derrota Truman”.

 

NOS EUA (4)

 

Divulgado o resultado, Harry Truman venceu a eleição e comemorou a vitória tirando uma foto que foi publicada em todos os jornais dos EUA. A foto mostrava Truman segurando o jornal CDT que trazia manchete de sua derrota para Dewey.

 

FHC PERDEU

 

Quando FHC perdeu a prefeitura de São Paulo para Jânio Quadros também houve erro nas pesquisas. FHC entusiasmado com elas, chegou a tirar fotos sentado na cadeira do prefeito de São Paulo. Mas quem venceu foi Jãnio Quadros que mandou desinfetar a mesma.

news@rogeriomendelski.com.br

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